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2019 by CADENC

  • Ricardo Bortoli

Verdades e mitos sobre a elaboração de currículos

Atualizado: 4 de Jun de 2019


Muito se fala sobre o currículo ser o cartão de visita do candidato, e que o currículo confere ao selecionador as primeiras impressões sobre o candidato. Muitas são as dicas observadas em artigos e vídeos sobre a elaboração de currículos. Mas, por minhas diversas experiências como selecionador e como candidato percebi algumas verdades que não são ditas e mitos que geralmente são repetidos pelos profissionais que se dispõem a falar do assunto.


A primeira verdade, até é citada por alguns, mas é digna de ênfase. O currículo deve funcionar como uma ferramenta de coerção. Ou seja, ao se elaborar um currículo o candidato deve ter em mente que este documento deve seduzir aquele que o analisará, por isso o currículo deve ter o que o selecionador gosta de ver, e isso varia de selecionador para selecionador, por isso conheça quem irá selecionar seu currículo.


O currículo deve exercer a função de um folheto de propaganda onde o bem a ser vendido é você. Folhetos que contenham assunto que não lhe interessam são jogados fora, assim como aqueles de aparência ruim. O mesmo vale para os aqueles currículos carregados com informações não interessantes ao selecionador ou aqueles visualmente pobres, pois estes possuem muito mais chances de serem descartados sem nem serem analisados. Aqui utilizar palavras-chaves é uma ótima estratégia.


A segunda verdade é, conheça as pessoas que podem receber o seu currículo. Muitos currículos são analisados pelos selecionadores não por seu contexto, mas por quem o entregou ao selecionador. A indicação ainda é, e provavelmente continuará sendo, o principal determinante entre os currículos selecionados para um processo seletivo e os descartados. Portanto, não seja modesto em fortalecer seu network, principalmente se almeja cargos de maior responsabilidade e remuneração. Quanto melhor é o cargo, menor a imparcialidade dos selecionadores, pois a confiança não é algo simples de avaliar, normalmente opta-se por vínculos de confiança já estabelecidos.


No Brasil, o artigo 1º da Lei 9.029/95, proíbe práticas discriminatórias para efeitos admissionais, porém ainda é comum empresas pedirem CPF ou RG alegando serem dados necessários para registro do candidato em sistemas informatizados, e utilizarem estas informações para checarem nível de endividamento do candidato e antecedentes criminais, ou se estes possuem histórico de reclamações trabalhistas na justiça.


Assim, nossa sugestão é, não informe seus documentos pessoais a menos que seja exigência da empresa. Eu já testemunhei um bom candidato não ser selecionado por verificarem o título de eleitor do mesmo e verificarem que este não votava no município, assim como já fui obrigado pelo departamento médico da empresa em que trabalhava a demitir um excelente colaborador recém contratado, pois no processo seletivo foi solicitado ao candidato informações como o número do cartão do SUS e por meios não tão ortodoxos a empresa verificou que o candidato já havia feito tratamento de LER na rede pública de saúde. Assim, como o resultado dessa pesquisa chegou somente após a contratação do candidato, o departamento médico determinou a demissão do trabalhador ainda em período de experiência.


O mito mais assustador é sobre os processos seletivos serem justos, salvo algumas exceções, infelizmente eles não são. Os selecionadores não buscam os melhores profissionais, mas sim o que mais lhe agrada. Mentir no currículo é algo condenável e que facilmente é desmascarado pelo selecionador. Mas tenha em mente que às vezes a verdade não agrada. Por exemplo: se você cita em seu currículo que em suas experiências anteriores foi contrato com um determinado cargo e rapidamente foi galgando posições maiores, ao invés do fato ser reconhecido como mérito por seu desempenho, pode ser interpretado pelo selecionador como ambição e desejo de fazer carreira, que pode oferecer ameaça aos atuais líderes, pois estes podem acreditar que ao invés de um colaborador dedicado, estariam contratando alguém que na primeira oportunidade irá lhes puxar o tapete. Trata-se de um entendimento relativo ao avaliador, mas que não pode ser negligenciado.


A solução aqui é: coloque em seu currículo apenas o último cargo ocupado em cada empresa que passou, e se for convidado para uma entrevista, citei os demais cargos sem denotar ambição de crescimento. Todo mundo quer ter uma carreira, os empregadores querem excelentes profissionais, mas demonstrar que você é melhor que o seu futuro chefe ou membro da equipe pode fazer com que, candidatos menos capacitados que você, sejam contratados em seu lugar. E, como as entrevistas são normalmente conduzidas a partir do que consta em seu currículo, muito cuidado com essas informações.


Este artigo poderia ser apenas um passo a passo sobre como elaborar um currículo, mas orientações deste tipo existem diversas. Nosso intuito é contar-lhes que há muitas outras preocupações certamente agressivas e talvez imorais que influenciam em todas as etapas dos processos seletivos, e sendo a seleção dos currículos a primeira etapa deste processo, sua elaboração deve ser feita considerando também estas preocupações.


Todos os bons profissionais costumam pregar o que é ético, e utilizam frases pé-formatadas para expressar certos padrões de conduta. Porém a verdade é que buscamos constantemente produzir um ambiente justo, e isso é louvável, mas é preciso termos ciência que os ambientes corporativos ainda são agressivos, cheios de atalhos e interesses individuais. E estar preparado para viver nestes ambientes não é algo que se aprende nos livros, mas é algo que todos precisam saber.

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