RH versus alcoolismo, tabagismo e outras dependências químicas.

Atualizado: 15 de Ago de 2019


Nos últimos dez dias conversei com três colegas de RH sobre ações que as empresas podem adotar no combate ao alcoolismo, tabagismo e outras dependências químicas. Tais conversas motivou-me a escrever este artigo, não para apenas compartilhar algumas práticas de sucesso que conhecemos, nem tampouco para resumir apenas as diretrizes legais que as empresas precisam considerar no combate a estes problemas sociais, mas principalmente para auxiliar outros colegas de RH e empresas a lidarem com essa questão em seu dia-a-dia.


Agora, antes de entrarmos no âmbito das ações, campanhas e legislação, é importante termos ciência que vícios e dependência química, grosseiramente falando, são respostas à falta de conexão social, ou citando o estudo de Bruce Alexander, professor canadense de psicologia, que defende como resultado de seus estudos que:

1) A toxicodependência é apenas um pequeno canto do problema da dependência. A maioria dos vícios sérios não envolve drogas ou álcool;

2) O vício é mais um problema social do que um problema individual. Quando as sociedades socialmente integradas são fragmentadas por forças internas ou externas, o vício de todos os tipos aumenta dramaticamente, tornando-se quase universal em sociedades extremamente fragmentadas;

3) O vício surge em sociedades fragmentadas porque as pessoas o usam como uma maneira de se adaptar ao deslocamento social extremo. Como forma de adaptação, o vício não é uma doença que pode ser curada nem um erro moral que pode ser corrigido por punição e educação.


Quando entendemos a profundidade desse estudo e quebramos o mito de que tudo é uma questão de química ou do individuo, confirmamos que desligar um colaborador, assim como tentar qualquer tipo de coibição de seus vícios, só aumentará essa desconexão social e intensificará o problema ao invés de saná-lo.


Óbvio que algumas empresas preferem externalizar o problema e não gastar esforços com problemas sociais como estes, mas há muitas empresas socialmente responsáveis e é com essas empresas e seus colaboradores que dialogamos.


Partindo então da premissa que combater vícios está diretamente relacionado à conexão social e com as emoções que estas conexões geram nos colaboradores, nós podemos tratar das causas reais com ações muito mais efetivas. Tais ações devem ter então como foco: Identificar quais os "vínculos quebrados" na vida dos colaboradores e auxiliá-lo a criar novas conexões. E isso pode ser feito, entre outras formas, de acordo com os exemplos a seguir:

a) Disponibilizar psicólogos e assistentes sociais para produzir diagnóstico através de atendimento individual e visitas domiciliares, conforme regulamento de cada uma destas duas profissões.

b) Utilizar a SIPAT, ou campanhas de conscientização para promover palestras, que convidem os colaboradores a reconhecer o problema, buscar e aceitar auxílio;

c) Introduzir na cultura da empresa eventos e rotinas que se tornem oportunidades de conexão social. Estes eventos e rotinas podem ser: ações sociais, campeonatos esportivos, confraternizações limpas de estímulos, entre outras que conecte o colaborador com relações mais agradáveis, e que lhes dê outros propósitos existenciais.

d) Estabelecer parceria com Centro de Atenção Psicossocial - CAPS, do município para auxiliar o colaborador a se desvincilhar de seus vícios, mesmo que não químicos, e principalmente àqueles que fogem da alçada de intervenção das empresas.

e) Capacitar a equipe de segurança do trabalho e os líderes para abordar o tema diariamente, em suas reuniões iniciais de trabalho, como os Diálogos Diário de Segurança - DDS, já muito comum no dia-a-dia das equipes de trabalho. O importante aqui não é resolver o problema, mas discretamente estimular os colaboradores com problemas à reconhecer tais vícios e buscar ajuda de profissionais capacitados, dentro ou fora da organização.


Há muitas outras soluções prontas ou que podem ser criadas para o RH combater o alcoolismo, o tabagismo, outras dependências químicas ou mesmo os vícios não químicos. E, independente da solução, é imprescindível que as empresas adotem um conjunto de ações para lidar com a questão sob essa ótica psicossocial. Não só pela benevolência para com o colaborador dependente, mas também pela melhoria da produtividade, redução de custos oriundos do absenteísmo, e ainda a redução de custos com saúde ocupacional e passivos trabalhistas.


Nós podemos falar mais sobre tais custos, assim como sobre a legislação pertinente, ou sobre cada um dos exemplos citados. Basta deixar seu comentário ou nos enviar uma mensagem com suas dúvidas e interesses no assunto. E lembre-se, um colaborador com um propósito de vida alinhado ao propósito da empresa não medirá esforços para contribuir com os objetivos da companhia, e deixar para trás tudo que o impede de desfrutar de suas conexões sociais.


0 visualização

(14) 99810-9160

  • Facebook
  • Instagram
  • LinkedIn
  • YouTube

2019 by CADENC