Perspectivas de RH na Agroindústria

Entrevista com José Darciso Rui, diretor executivo GERHAI e sócio diretor na CAERHA Consultoria.




Nosso entrevistado de hoje é um dos profissionais mais influentes nos RHs do segmento da agroindústria. Como diretor-executivo do GERHAI - Grupo de Estudos em Recursos Humanos na Agroindústria, José Darciso Rui, aconselha profissionais em dezenas de empresas do setor, trazendo à pauta nas reuniões mensais do grupo, assuntos atuais de interesse coletivo, gerando aos participantes conhecimentos técnicos, network e principalmente facilitando o benchmarking entre os participantes para que assim o setor desenvolva cada vez mais sua capacidade em fazer gestão de pessoas. Então, vamos às perguntas:


Em sua longa trajetória como gestor e consultor, recrutou, liderou e avaliou uma quantidade bastante expressiva de profissionais. Ao longo deste tempo, quais as principais mudanças entre o perfil do profissional de 15 a 20 anos atrás, e o perfil dos profissionais que estão no mercado hoje?


Jose D. Rui: O profissional de 20 anos atrás era mais fiel a empresa. Procurava se encaixar na mesma e fazer carreira. Hoje o mercado é muito mais volátil e os profissionais procuram mudar de tempos em tempos a procura de novos desafios. Para mim, os profissionais na faixa acima de 45 anos de idade são mais comprometidos que os jovens chamados da geração Y. Estes já passaram pela geração mencionada e entenderam processos de gestão com ganho de experiência.


Sabemos que a necessidade de aprimoramento é constante, e as mudanças ocorrem a cada dia com mais velocidade. Até por isso, realizar previsões e falar de futuro não é uma tarefa simples. Entretanto, com toda a sua experiência, você consegue nos listar as principais expectativas das empresas quanto aos profissionais da próxima década?


Jose D. Rui: As empresas procuram bons técnicos, ou seja, profissionais que conheçam o terreno onde pisam. No entanto, é fundamental algumas competências organizacionais e comportamentais. Tais com: foco no negócio, resultado financeiro, sustentabilidade, gestão de pessoas, gestão de processos, especialização (MBA), inglês, espanhol, trabalho em equipe, entre outras.


Além de suas atividades de consultoria e gestão em conceituadas empresas do setor da agroindústria, também é um dos fundadores do GERHAI e líder ativo deste desde seu princípio. Em todas estas esferas, relacionou-se com milhares de profissionais e pode acompanhar a carreira de grande parte deles. Na sua percepção, quais os erros mais comuns cometidos por estes profissionais, e o que poderia ser feito para evitá-los?


Jose D. Rui: Os erros mais comuns, principalmente em executivos de alta gerencia, é a falha na gestão de pessoas. Exímios conhecedores de suas atribuições técnicas, porém sem nenhum tato com as pessoas, especialmente, com os proprietários e acionistas quando em empresas familiares e com o conselho administrativo quando em empresas profissionalizadas.  Para evitá-los, é preciso que o profissional tenha mais cautela em suas ações, respeite a cultura organizacional, traga resultado expressivo, relacione-se de forma exemplar com seus stakeholders e, principalmente, deixe de lado a vaidade profissional e pessoal.


Podemos afirmar que cada setor possui peculiaridades as serem consideradas por seus diretores. Por tais peculiaridades, a gestão de RH na agroindústria veio a se desenvolver um pouco depois dos demais segmentos. Sendo um dos precursores destas mudanças na forma de fazer gestão de pessoas na agroindústria, agregando ao velho conceito de departamento pessoal uma postura mais moderna, como você classificaria a expertise do setor em fazer gestão de pessoas? 


Jose D. Rui: Estamos atrasados em regra geral. Muitas empresas do setor as praticam de forma inteligente, moderna e acompanha o mercado global na gestão estratégica de pessoas. Porém uma grande fatia de empresas do setor nem sequer aplicam conceitos básicos de gestão de pessoas, não fazendo a lição de casa nem mesmo o arroz com feijão. Cumprem quando muito a legislação trabalhista às duras penas. Lastimável, pois estamos perdendo dinheiro, estamos perdendo produtividade, crescimento organizacional e empresarial.


O setor há alguns anos vem sofrendo com uma série de impactos socioeconômicos, seja pela migração acentuada da mão-de-obra básica para o trabalho técnico, seja pelas políticas econômicas do governo, ou ainda pelas condições climáticas que nos últimos cinco anos prejudicou o setor pelo excesso ou falta de chuva. Na sua opinião, ainda há esperança para o setor? Ou melhor, o setor é atrativo para profissionais que buscam uma carreira de sucesso?


Jose D. Rui: O setor é muito sustentável. Os empresários do setor têm experiência no seu negócio. No entanto as falhas de gestão e a situação econômica mundial fez com que as empresas do setor entrassem em um colapso financeiro tornando as suas organizações frágeis e abertas ao fogo cruzado. O governo tem grande parcela de culpa nesta história, especialmente, o governo atual que abandonou um setor que gera milhões de empregos em detrimento, por sua vaidade pessoal de manter o combustível fóssil como principal fonte energética na matriz estratégica esquecendo-se do etanol, combustível limpo, renovável e rentável para todos se for tratado como merece. O setor irá se ajustar as duras penas, mas tem futuro. Tem campo mercadológico, tem raiz, tem espaço, tem vontade de crescer, e é isso que vai acontecer. Vamos crescer, sacudir a poeira e dar a volta por cima.


Diante deste cenário, quais ações os profissionais do setor poderiam adotar para contribuir com as empresas onde trabalham e por consequente conquistar sucesso em suas carreiras?


Jose D. Rui: Não digo dar o sangue, pois isso é muito caro para todos. Mas digo, suar a camisa, a calça, a meia e a cueca. Trabalhar com afinco e determinação. Buscar ganhos de produtividade dentro de benchmarking com o mercado. Desenvolver as pessoas. Motivá-las ao cumprimento de suas tarefas. Remunerar com critérios técnicos seus subordinados. Não brincar em serviço esta é a receita!


O GERHAI é uma fonte abundante de conhecimento e network, os interessados em participar do grupo pode entrar em contato através do site: http://www.gerhai.org.br, para conferir notícias, agenda das reuniões e eventos do grupo. E saber como participar.

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