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2019 by CADENC

  • Ricardo Bortoli

O que é preciso para construir uma equipe?

A fórmula mágica do team building

Engraçado, o que não falta por ai são dicas de como formar uma equipe de alta performance. A cada dia surgem mais e mais especialistas super experientes te dizendo o que se deve fazer para construir uma equipe vencedora. E eu digo engraçado porque as pessoas estão se habituando a acreditar que saber o que fazer basta para se dominar um tema, e então as pessoas ouvem um conceito e o repetem como se fosse uma grande descoberta para humanidade, como se somente ela soubesse daquela informação e somente ela fosse detentora dessa informação. E por que iniciei dizendo isso? Eu destaquei esse contexto para iniciarmos nossa comunicação com os seguintes questionamentos: "será que saber o que fazer basta?", "tem diferença entre o que fazer, como fazer e por que fazer?", "será que existe uma forma única e mais assertiva para se construir uma equipe?" e digo mais, "uma equipe de alto desempenho?"


Em 2008, eu montei um treinamento outdoor para equipes de alta performance, e o aplicava em uma fazenda que possui um restaurante ao lado de um lago e um salão de eventos, além do típico cenário do campo, com a natureza rústica contrastando com o requinte da sede e dos proprietários. Naquela época eu não sabia, mas toda aquela teoria que eu transformava em dinâmicas e entregava para os participantes, não era suficiente. O máximo que conseguia fazer era entreter os participantes com informações relevantes para seu dia a dia profissional.


Hoje, 12 anos depois, tendo conduzido, trabalhado e treinado equipes de diversos tamanhos e segmentos, eu entendo que não há fórmula mágica, não há uma única forma mais assertiva para se construir uma equipe, ainda mais uma equipe de alto desempenho. Ainda que existam técnicas sobre team building que de fato ajudam muito no processo de construção de uma equipe, é preciso encontrar seu próprio caminho, é preciso descobrir o que faz mais sentido para a sua equipe. Aqui sim, há elementos que precisamos trabalhar para construir um equipe.


Objetivo da equipe:

A principal etapa para se construir uma equipe é saber claramente qual é o objetivo dessa equipe. Isso não é um segredo, mas vejo muitas empresas falhando nesse aspecto. Por exemplo, estabelecem para a equipe comercial como um todo um único objetivo: atender bem o cliente, mas na prática cobram da equipe de vendas comportamento agressivo para aumentar as vendas e colocam a equipe de atendimento para resolver os problemas gerados por processos de outras áreas da empresa. Não é congruente, contrata-se com um objetivo e cobra-se resultados e atribuem tarefas com outros objetivos. Você deve considerar qual objetivo é mais importante para a equipe, e montar a equipe para obtenção deste objetivo, e então cobrar dela prioritariamente a execução de atividades que levem a este objetivo.


Comunicação:

Outro fator de grande relevância para se construir uma equipe é o nível de maturidade da comunicação na equipe. Há certo tempo se tornou comum ambientes corporativos sem salas, onde todos ficam em um mesmo salão, com objetivo de integrar equipes e facilitar a comunicação. Mas a estrutura que Fayol começou, departamentalizando as empresas ainda não foi derrubada com a eliminação das paredes. Além de incentivar a comunicação e fornecer ferramentas para que as pessoas se falem, é preciso criar ritos corporativos sobre a comunicação, e é imprescindível preparar a equipe para a prática de comunicação não-violenta.


Equilibrar hard skills e soft skills:

Não podemos mais tratar hard skills e soft skills de forma isolada, pois ambos os estilos de competência se sobrepõem nas rotinas da equipe. Ainda que trabalhar em equipe envolva múltiplas soft skills, estas competências são aplicadas na realização de tarefas que exigem hard skills. Tentar formar um equipe apenas pelos aspectos comportamentais, sem considerar as competências técnicas, é uma grande negligência. Não raro vejo empresas aplicando treinamentos sobre aspectos comportamentais e no outro dia, quando os colaboradores voltam ao trabalho, diante da primeira dificuldade ou primeiro problema, esquecem todo o conteúdo trabalhado no treinamento e repetem os comportamentos habituais. Tudo bem que aqui há uma questão de condicionamento cognitivo e comportamental, porém quando se consegue integrar elementos técnicos de forma equilibrada com os comportamentais, há muito mais chances de se construir uma equipe. Por isso até que a gamificação utilizando processo do dia a dia têm ganhado espaço nas trilhas de aprendizagem de diversas equipes.


Identidade:

As pessoas trabalham por necessidade, assim como consomem por necessidade, em ambos os casos, elas criam expectativas sobre como querem trabalhar e como querem consumir. Estas expectativas possuem relação direta com a sua própria percepção do EU, com a sua identidade. Ela vai querer consumir o que pessoas com a sua identidade consomem, e vai querer trabalhar com o que pessoas com a sua identidade trabalham. Para construir uma equipe, já sabemos ser preciso considerar qual cultura desejamos praticar, e qual propósito deve nos unir, agora na prática poucos observam se as identidades dos integrantes estão alinhadas entre si. Por exemplo, eu encontro com frequência, profissionais que se enxergam como alguém muito diferente dos demais integrantes da sua equipe, muitas vezes até realmente são, outras vezes apenas querem ser, o que não é errado também. Mas são peças fora de lugar, pessoas que no contexto da equipe vão sempre colocar os seus objetivos individuais a frente do coletivo. Permitir que as pessoas tragam a tona a sua percepção do EU, pode ser uma forma de identificar se a identidade de cada um está alinhada com a equipe.


Como dissemos no início deste artigo, não há fórmula mágica, há modelos que te dizem o que fazer, há exemplos que tiramos de nossas experiências que podemos compartilhar como aprendizagem, e há questões que nos ajudam a encontrar nosso próprio caminho. Embora ainda seja difícil levar para o dia a dia todos estes conceitos, podemos simplificar optando sempre por ações que estimulem:

  • a integração e o entrosamento dos colaboradores;

  • o interesse em desafios;

  • a comunicação, em especial a não-violenta

  • o aprendizado coletivo;

  • e a criação de laços de respeito e afeto.

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