O melhor jeito é o jeito feito!

O equilíbrio entre eficiência e eficácia.


Você diria que é melhor ser eficiente, ou ser eficaz? Veja este exemplo: Um cãozinho estava parado na calçada olhando para o outro lado da rua, uma menina muito gentil se aproxima, pega o cãozinho no colo, espera o sinal de pedestre abrir e atravessa a rua levando-o para o outro lado da rua. Como ela pegou o cãozinho no colo carinhosamente para ele não fugir, esperou o sinal e atravessou em segurança, podemos dizer que ela utilizou os recursos e o ambiente da melhor maneira possível para executar a ação, portanto foi eficiente. Se era desejo ou objetivo do cãozinho atravessar a rua, também podemos dizer que o ato foi eficaz, já que ele chegou do outro lado da rua. Agora imagine a mesma situação só que mesmo o cãozinho tendo o desejo de atravessar a rua, quando a menina o pega no colo, ele a morde e sai correndo atravessando a rua, ela corre atrás dele sem olhar para o sinal, se assusta com um carro, cai no chão enquanto o carro atropela o pequeno pet que assustado e chorando chega ao outro lado da rua todo machucado assim como a menina. Ora, ele queria atravessar a rua e assim o fez, por isso foi eficaz, mas não fez da melhor forma possível, por isso não foi eficiente, pois se machucou, machucou a menina e é bem capaz que tenha gerado algum prejuízo ao dono do veículo. E pior, se nessa última situação o cãozinho não quisesse atravessar a rua, ele não teria sido nem eficiente, por conta de como atravessou, muito menos eficaz porque não era seu objetivo atravessar.


O que queremos demonstrar com essa pequena ficção, é que eficiência tem relação com os meios ou com os métodos utilizados para se fazer algo. Quando se é eficiente, pode-se dizer que se fez algo da melhor maneira possível. No entanto, ser eficiente não significa que você é eficaz, isso porque ser eficaz significa atingir objetivos, ou seja, chegar a um resultado desejado.


Esse conceito é simples, tão simples que dá para encaixá-lo em uma simples historinha ilustrativa. Porém, no dia a dia, o foco das equipes e gestores se confundem com frequência, pois nem todos lembram dessa diferença na hora de agir ou tomar decisões.


Em nossa experiência com o mercado já nos deparamos com muitas empresas e profissionais com uma enorme preocupação em "ser eficiente", e executar suas atividades da melhor forma possível, buscando por exemplo: eficiência em custos, agregando atributos aos seus produtos, elaborando planilhas lindas e cheias de recursos, investindo pesado na prevenção de riscos, ou implantando metodologias inovadoras e internacionalmente reconhecidas pelo mercado. No entanto ao fazer isso, a maioria dos profissionais perdem tempo tornando-se lentos, acabam também atrapalhando a experiência de compra dos clientes, travam processos, costumam se preocupar mais com a metodologia do que com os resultados, e as vezes chegam ao absurdo de gastam mais com prevenção de riscos e redução de custos do que perderiam com os prejuízos que tais riscos poderiam gerar com ou custos que efetivamente têm. Isso faz com que estas empresas e profissionais até sejam eficientes, pois utilizam os melhores e mais inovadores métodos, porém não garantem que tal eficiência traga resultados, pelo contrário, a maioria sacrifica a eficácia em nome da excelência.


O inverso também é verdadeiro, muitas empresas e profissionais na busca por resultados, focam apenas nos seus objetivos e negligenciam a eficiência. É o exemplo de projetos que não podem atrasar a entrega, e que em caso de atraso, os membros optam por deixar de fazer alguma etapa, ou fazem de qualquer jeito só para não perder o prazo. Ou ainda, é o caso de um vendedor que precisa bater a meta do mês, e vende para clientes inadimplentes, ou promete taxas, descontos, bonificações e brindes para o cliente, mesmo sabendo que tais promessas não serão cumpridas.


Sabe aquelas expressões do tipo: "Não vai dar tempo, feche e deixe assim mesmo que não dará problema, ninguém vai ver". Ou, "Pode assinar o contrato assim que eu alinho com o meu gerente para ele te fazer isso por fora, porque essa condição é especial e eu nem tenho ela disponível aqui no meu sistema, mas vamos fazer porque é pra você". Demonstração clara de preocupação com os objetivos ao custo de sacrificar a eficiência.


Por isso, entre eficiência e eficácia não dá para escolher apenas uma como atributo do seu trabalho, é preciso buscar sempre o equilíbrio entre ambas. Todavia, poderíamos até encerrar o artigo por aqui, mas manteríamos o mesmo discurso teórico tanto utilizado pelos "master efficiency managers". Isso porque na prática, nem sempre podemos ter ambos os adjetivos atribuídos ao nosso trabalho ou ao trabalho da nossa empresa. Por isso nós defendemos que o melhor jeito é o jeito feito.


Essa expressão que criei e utilizo com bastante frequência, diz respeito à atitude de fazer o melhor possível. Quando digo isso não estou dizendo para negligenciar ou dar ênfase na eficácia ou na eficiência. Estou dizendo que devemos buscar as melhores técnicas, devemos realizar estudos estatísticos, devemos pensar nas relações de longo prazo com clientes, fornecedores, funcionários, além é claro de absorver metodologias modernas e inovadoras. Porém, nosso limite é a obtenção de objetivos. De nada adianta a melhor técnica ou a melhor ferramenta se ela não te leva a lugar nenhum. É como colocar uma Ferrari para andar num campo ingrime e cheio de lama. Há casos onde um trator ou uma carroça puxada por bois se apresentam como soluções mais adequadas para a situação.


Assim, para conseguir o equilíbrio entre eficiência e eficácia, selecione o método ou a ferramenta mais eficiente para o seu trabalho ou negócio, e não a mais eficiente do mercado. O que funciona muito bem numa grande empresa dos Estado Unidos e é ensinado em Harvard pode não funcionar para sua pequena ou média empresa no Brasil. Lembre-se, sem resultados positivos nenhuma empresa ou carreira se sustenta, por isso o melhor jeito de se fazer algo é aquele que você consegue realmente fazê-lo com maestria, sem ficar preso no discurso irresponsável de: "tem que ser assim porque esse é o jeito certo de se fazer".

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