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2019 by CADENC

  • Ricardo Bortoli

As 4 perspectivas de uma gestão que funciona


Sempre que falamos de gestão estratégica, vem a tona o debate sobre missão, visão e valores. Mais recentemente também passamos a falar de propósito, de transformação social, e a busca por inovação muito se intensificou. Neste contexto, seja qual for o tamanho de um negócio, um conceito que acreditamos fazer muito sentido é a abordagem das perspectivas do Balanced Scorecard, formuladas para refletir de forma prática a estratégia da empresa.


O Balanced Scorecard é uma metodologia que traduz a estratégia em objetivos e medidas alinhadas aos seus principais interessados. Sendo estes objetivos e medidas agrupados em quatro perspectivas diferentes, Herreiro Filho (2005), descreve cada uma delas por sua respectiva função:


Financeira: tem o objetivo de demonstrar se a estratégia está contribuindo para a melhoria dos resultados financeiros da companhia, mais precisamente sobre o lucro líquido, o retorno do investimento e geração de caixa.


Do Cliente: essa perspectiva deve avaliar a proposta de valor da empresa para seu público-alvo. Analisando se os resultados esperados pelos clientes estão gerando, satisfação, atração de novos clientes, retenção de clientes antigos, bem como lucratividades e participação de mercado.


Dos Processos: identifica os processos críticos de um negócio, conforme sua cadeia de valor, buscando entender se tais processos estão gerando valor percebido para o cliente, bem como se há eficiência em custos.


Da Aprendizagem e Crescimento: tal perspectiva verifica a aprendizagem, a obtenção de novos conhecimentos e o domínio de competências no nível do indivíduo e grupo, e ainda confere se as equipes/departamentos estão viabilizando as três perspectivas anteriores.


Herreiro Filho (2005), lembra que cada empresa pode definir um número maior ou menor de perspectivas para transformar sua visão em objetivos tangíveis. Mas acredito que as quatro perspectivas aqui listadas são no mínimo suficientes para uma boa gestão.


Recordo que há pouco mais de 10 anos, coordenei uma equipe multidisciplinar de planejamento estratégico, e acabei provocando em uma reunião uma discussão bastante acalorada sobre transformar a estratégia em indicadores. Na ocasião, minha proposta, que estava diretamente ligada aos muitos indicadores já existentes do programa de participação nos lucros, era que a visão da empresa fosse traduzida para estes indicadores, e parte da equipe não queria considerar os indicadores, sugerindo escrever apenas frases inspiradoras para os quadros da companhia. Ao final, a empresa optou por não alinhar sua estratégia às ações táticas e operacionais, como resultado, poucos meses depois uma pergunta surgiu nos corredores: "como uma empresa que está batendo todas as metas não consegue ter lucro ou disponibilidade de caixa".


Eu, 10 anos mais jovem não fui capaz de convencer minha equipe da importância deste alinhamento. Hoje, sei que os argumentos que me faltaram na época podem ser encontrados em métodos como BSC (Balanced Scorecard), e a credibilidade encontrada nas diversas experiências de sucessos e insucessos que experimentei neste período.


As rotinas gerenciais de um negócio que envolvem as quatro funções da administração (planejar, organizar, controlar e dirigir), normalmente é muito focada na direção, tem boas ações em organizar, é sempre cobrada para planejar, mas nossa experiência e percepção é que o controle na maioria das empresas carece de monitoramento. Ainda que a tecnologia ofereça cada vez mais soluções de BI (business inteligence), e as empresas estejam construindo dashboards para controle das operações, eu vejo o mesmo equivoco se repetindo, não é comum ter um alinhamento das estratégias com os níveis táticos e operacionais.


Essa nossa abordagem, com teor um tanto crítico, é também pretensiosa, pois espera despertar em você caro leitor, uma reflexão sobre a importância de se monitorar as rotinas da sua empresa de forma alinhada desde a estratégia até a operação.


Grandes empresas como a Visanet, Siemens, Gerdau, entre outras, implantaram o BSC como um mapa entre os anos 2000 e 2010, hoje, a infinidade de BI internalizou o conceito e facilitou tal implantação. Contudo, ainda que na prática a tecnologia nos economize tempo, ainda que surjam novos conceitos e métodos, as quatro perspectivas do BSC se mantêm atuais, e merecem a atenção da gestão.


Um negócio precisa ser rentável, precisa entregar valor ao cliente, precisa ser eficiente em seus processos e principalmente, precisa desenvolver sua equipe para que elas melhorem a rentabilidade, o valor para o cliente e os processos. E para isso, o passa a passo é simples:

1º) Traduzir estas quatro perspectivas em objetivos;

2º) Criar indicadores para verificar se estes objetivos estão sendo atingidos;

3º) Definir metas para estes indicadores conforme a visão do negócio;

4º) Adotar iniciativas que levem à obtenção da meta.


Por fim temos um método, temos exemplos, lições aprendidas, e inúmeras formas de usar a tecnologia para fazer uma gestão que funciona. Basta que por trás do método e da tecnologia aplicada, tenhamos a compreensão dos fundamentos que regem tais modelos de gestão. E então, olhar sobre cada perspectiva e enxergar o caminho que pode nos levar ao sucesso.


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